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Na Rua dos Inválidos

Comecei por esses dias uma nova etapa na minha vida enquanto morador do centro do Rio. Agora, sigo de corpo, malas e caixas para a Rua dos Inválidos, número 18. Lá do oitavo andar, que é para estar pronto para fazer como Belchior: abrir a vidraça e gritar quando o carro passar.

A simpatia pelo novo endereço bateu quase que de primeira. Pela boa condição do imóvel e pelo valor anunciado, pela proximidade tanto de locais que já frequento. Pelas opções de transporte nas cercanias e pelas fachada dos sobrados na vizinhança. É sério: como sorrir ao sair de casa pela manhã e dar de cara com isso aqui?
Sem contar ainda com a Igreja de Santo Antônio:


Surgida como Rua Nova de São Lourenço, a rua se tornou dos Inválidos por conta de um asilo para soldados construído ali em 1794. Instalaram-se por ali também muitos nobres, fazendo do endereço em seus primeiros anos uma das áreas mais requisitadas da zona central do Rio. Embora sem o mesmo charme, o logradouro segue sendo puro suco do centro carioca. Vem do meio da Lapa, chega ao Campo de Santana, inclui residências, bares, prédios modernos construídos sobre um terreno destinado, inicialmente, à construção de uma estação do metrô que nunca saiu do papel. Entre os marcos tristes: fica ali também a ex-sede do Dops, principal centro de tortura do período da ditadura; fica ali também a “Casa da Pretas”, local onde a vereadora Marielle Franco esteve até poucos minutos antes de ser covardemente executada.

Ainda tenho uma série de coisas pra ajeitar no novo endereço. Caixas e mais caixas de papelão pra retirar de casa. Um guarda-roupas pra montar e internet pra instalar. Tão logo eu resolva as pequenas pendências, volto a escrever – seja sobre a Rua dos Inválidos, seja sobre outras partes do Centro.

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