aluguel

Mudar

Mudar faz bem. Ao menos é o que garantem os donos de caminhões de frete, o título de um dos livros da jornalista Regina Volpato e, se não me falha a memória, alguma propaganda de tintura de cabelos lá pelos anos 90. Embora valha aqui a máxima de Rodrigo Amarante, “não porque nem sempre”, o que se pode garantir é que mudanças são, em muitos casos, inevitáveis. Como quando você calça um crocs, por exemplo. Ou quando, como no meu caso, precisa de um apartamento maior.

O pequeno quadrado da Evaristo da Veiga #45 me atendeu perfeitamente quando o encontrei – solteiro de pouco e trabalhando em Botafogo. Como já contei aqui, tudo o que eu queria em julho de 2016 era algo que eu pudesse pagar sozinho e que estivesse a, no máximo, dez minutos de distância de uma estação de metrô da Linha 1. E o local de onde onde escrevo agora foi o que consegui. Um conjugado de 30m² de localização privilegiada – embora incomum para muita gente – e vista agradável. No entanto, dois anos depois, em um relacionamento estável e com um emprego melhor, a máxima de Volpato passa a fazer sentido: mudar, agora, pode fazer bem.

Há, entretanto, uma outra boa razão para buscar, nesse momento, um novo apartamento para alugar: o valor do metro quadrado. Depois dos absurdos valores cobrados na cidade na esteira da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, o custo do m² para aluguel de apartamentos no centro do Rio se encontra hoje no seu valor mais baixo desde outubro de 2017 (depois de uma ligeira alta no início deste ano). Pode ser que o valor continue a baixar, mas sem talento para a profissão de economista ou sem o dom de prever o futuro, a impressão que tenho é apenas uma: a hora é essa.

***

Por conta disso, visitei, nos últimos dias, três apartamentos nas proximidades do Bairro de Fátima. Bom comércio, bons mercados, oferta de academias, bem servida de linhas de ônibus. Embora mais longe que do endereço atual – não se pode ganhar todas -, o metrô ainda segue como uma opção. Todos dentro do que estou disposto a pagar, sendo que apenas um, infelizmente o maior, foi descartado logo de cara por seu cheiro de velho. Afinal, quero e preciso de um pouco mais de espaço, não de crises de alergia respiratória.

Encontrar um apartamento que atenda às expectativas atuais no centro da cidade requer alguma atenção. A maior parte dos prédios residenciais aqui já têm algumas décadas de existência – para se ter uma ideia, o empreendimento imobiliário mais novo da Lapa, concluído em 2008, foi o primeiro do bairro em nada menos que 30 anos. A depender de seus donos, muitos apartamentos já viram dias melhores há muito, muito tempo.

Isso não impede, no entanto, que encontremos alguns apartamentos em ótimo estado, recém reformados, com pisos novos, paredes bonitas e nenhum sinal de cheiro de mofo. Significa, apenas, que, talvez precisemos procurar um pouco mais.

Dos dois que me agradaram, um pareceu agradar mais do que o outro. Talvez eu até venha a procurar um pouco mais, mas, a se confirmar pelos próximos capítulos, hoje, tenho a impressão de já ter encontrado o que eu queria. Os donos de caminhões de frete podem preparar as comemorações. E, ok, a Regina Volpato também.

Tags :